
A NGC 4258 é uma das galáxias usadas pelos astrônomos para estudar o quão rápido o universo está se expandindo graças à energia escura
Uma sonda espacial que estudaria a energia escura está enfrentando dificuldades para sair do chão, devido às disputas entre três agências norte-americanas e europeias sobre os detalhes da possível missão internacional.
A ascensão e queda do projeto Joint Dark Energy Mission (JDEM), um satélite que teria por objetivo determinar com exatidão de que consiste a força repulsiva que acelera a expansão do universo, se deve em certa medida à disputa surgida este ano entre duas agências do governo norte-americano, a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa) e o Departamento de Energia, e um terceiro potencial parceiro, a Agência Espacial Européia (ESA).
Além disso, os cientistas que estão desenvolvendo os projetos do JDEM não formaram uma frente unificada, devido a desacordos quanto ao melhor método de observação a ser empregado, em um momento no qual um influente painel de astrofísica está trabalhando para definir a prioridade das melhores e mais organizadas missões da próxima década.
“Temos aqui um exemplo de um satélite que explodiu antes até de ser construído”, disse Bob Nichol, astrofísico da Universidade de Portsmouth, Inglaterra, que está trabalhando no conceito de design europeu.
Energia negra é a denominação dada a uma força que sobrepuja a da gravidade e força o Universo a se acelerar em ritmo permanente de expansão. O efeito foi anunciado em 1998, depois que os astrônomos se tornaram capazes de medir com precisão as distâncias que nos separam de supernovas em outras galáxias. Mas a causa continua a ser um enigma.
“Esse talvez seja o maior mistério de nossa era”, disse Neil Gehrels, cientista do projeto JDEM no Centro Espacial de Voo Espacial Goddard, da Nasa, em Greenbelt, Maryland. “Ela determina o destino do universo”. A depender de que potência ela venha a atingir, a energia escura poderia dissipar o universo na escuridão, dilacerá-lo em um “big rip” ou até mesmo se reverter e formar uma aliança com a gravidade e criar um “big crunch”.
A missão JDEM tinha por objetivo determinar em que consiste a energia escura, e inicialmente ela demonstrou ímpeto considerável. Em 2007, recebeu um empurrãozinho político de um estudo co Conselho Nacional de Pesquisa norte-americano que definiu uma sonda de estudo da energia escura como principal prioridade de estudo entre as questões cosmológicas profundas. Depois, para criar um consenso, a Nasa e o Departamento de Energia em setembro de 2008 estabeleceram três equipes de pesquisa que vêm competindo para dar forma a uma missão que possa acomodar a todas as necessidades.
Passados dois meses, as agências assinaram um acordo que concederia à Nasa o comando da missão. O Departamento da Energia anunciou que cobriria cerca de um quarto dos custos.
Mas os custos representam um problema. As três equipes, trabalhando em separado, desenvolveram estimativas de preço superiores a US$ 1 bilhão para a missão; o projeto combinado é igualmente dispendioso, ou talvez ainda mais. A divisão de astrofísica da Nasa sempre quis algo menor e mais barato.
“Mas que volume de energia escura é possível comprar com US$ 600 milhões?”, questionou Jon Morse, diretor da divisão de astrofísica da Nasa, em reunião do conselho consultivo da agência no mês passado. “Ninguém parece querer responder a essa pergunta”. Por isso, a Nasa procurou a EDA, que vem estudando essa abordagem, em um projeto conhecido como “Euclid”, há anos. Em janeiro, parecia que a ESA e seus recursos orçamentários participariam da missão.
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